A Mostra Margens chega à Colônia: arte, memória e comunidade no Museu Gruppelli
No dia 19 de outubro de 2025, a Mostra Margens levou sua última edição do ano ao Museu Gruppelli, na Colônia, reafirmando seu compromisso com a circulação descentralizada do audiovisual e a valorização de territórios muitas vezes deixados à margem das grandes programações culturais da cidade. A ação, realizada em um dos espaços históricos mais emblemáticos do interior de Pelotas, reuniu artistas, moradores e visitantes em uma tarde de encontros, escutas e celebração da cultura local.
O Museu Gruppelli, com sua arquitetura singular e suas paisagens que respiram memória, serviu como cenário ideal para a proposta da Mostra. Ali, onde passado e presente se encontram, a exibição dos filmes ganhou outra dimensão: foi também uma conversa sobre pertencimento, ancestralidade, ruralidade e modos de vida que sustentam a história da região. A curadoria, composta por Chico Maximila e Ana Langone, escolheu obras que dialogam com essas camadas, abrindo espaço para narrativas plurais e sensíveis sobre cotidiano, afeto e resistência.
Os filmes exibidos provocaram discussões ricas entre público e artistas, em uma roda de conversa marcada pela troca sincera e pela escuta coletiva. A comunidade da Colônia participou intensamente, trazendo relatos, memórias e perspectivas que atravessaram as obras e ampliaram suas leituras. A interação entre artistas e moradores reafirmou o que a Mostra Margens tem defendido desde sua criação: o audiovisual como ferramenta de encontro, reflexão e transformação social.
Além do cinema, a ação no Museu Gruppelli reforçou a importância de ocupar territórios culturais fora do eixo central da cidade. Ao levar a Mostra para a Colônia, o projeto evidenciou que descentralização não é apenas deslocamento geográfico, mas um gesto político e afetivo. É reconhecer que cada território possui suas próprias histórias, potências e modos de criar, e que o papel da cultura pública é justamente abrir espaço para que esses mundos dialoguem e se fortaleçam mutuamente.
A ação também marcou a continuidade da itinerância da Mostra Margens, que, ao longo de 2025, percorreu diferentes bairros da cidade, construindo pontes entre comunidades e ampliando o acesso à produção audiovisual contemporânea. A edição no Museu Gruppelli foi a síntese desse movimento: uma ocupação sensível, potente e profundamente conectada às pessoas que vivem e fazem a cultura da região.
Ao final do dia, ficou evidente que a Mostra Margens não se encerra em si mesma. Ela planta sementes — de diálogo, de criação, de pertencimento — que seguem germinando muito depois de as telas serem recolhidas. E na Colônia, entre histórias de família, fotografias antigas e o vento que atravessa os pátios do museu, essas sementes encontraram terreno fértil.
Links: Obras apresentadas na Mostra Margens, Museu Gruppelli:
https://drive.google.com/file/d/1UblO7BQxhDZxaINuHSnemtMoPtJUcWNU/view?usp=sharing
https://drive.google.com/file/d/1wuJZT3wkTNU29mZohS7EoPes4YpoVqHJ/view?usp=drive_link
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